A Autobiografia dos primeiros 30 anos de Winston Churchill
Os primeiros trinta anos de vida de Churchill foram repletos de aventura: marchas nocturnas, cargas de cavalaria, escaramuças fronteiriças, a fuga de um campo de prisioneiros bóeres e até uma visita às guerrilhas em Cuba. Aclamado como o seu melhor livro, Os MeusPrimeiros Anos foi originalmente publicado em 1930 e abarca o período que vai desde o nascimento do autor, em 1874, até ao seu casamento, em 1908. Foi adaptado ao cinema em 1972 por Richard Attenborough num filme chamado Young Winston (O Jovem Leão). Mas este livro é mais do que uma história de aventuras. É também um relato elegíaco do período que antecedeu a Primeira Guerra Mundial e um retrato aprofundado de uma das mais brilhantes personalidades do século XX, através das palavras do próprio. Aqui se encontram as raízes de uma incansável energia e ambição nascida de pais ausentes e escolaridade deficiente. Um livro fundamental para quem quiser perceber quem foi afinal essa fascinante personalidade de nome Winston Churchill.
Um Excerto:
Sóneste Inverno de 1896, quando estava prestes a completar o meu vigésimo segundo ano, cresceu em mim o desejo de aprender. Comecei a sentir que me faltavam conhecimentos, por mais vagos que fossem, sobre muitas das grandes esferas do conhecimento. Reunira um vasto vocabulário e tinha um gosto especial pelas palavras e pela forma como se adaptavam e se encaixavam nos devidos lugares, como moedas na ranhura de uma máquina. Dei comigo a utilizar muitas palavras cujo significado não conseguia definir com exactidão. Admirava essas palavras, mas receava utilizá-las com medo de parecer absurdo. Um dia, antes de ter saído de Inglaterra, um amigo meu disse-me: «O evangelho de Cristo é a última palavra em ética». Soava bem, aquilo, mas o que significava ética? Nunca ninguém mencionara tal palavra nem em Harrow nem em Sandhurst. A julgar pelo contexto, pensei que poderia significar «o espírito das escolas privadas», «respeitar as regras do jogo», «esprit de corps», «comportamento honroso», «patriotismo» e coisas semelhantes. Depois, alguém me disse que a ética estava relacionada não só com as coisas que devíamos fazer mas também com a razão pela qual as deveríamos fazer e que havia imensos livros escritos sobre o assunto. Não me importaria de pagar a um erudito qualquer duas libras, pelo menos, para que me desse uma lição de uma hora, uma hora e meia sobre ética. Qual era o objectivo de tal coisa; quais eram os principais ramos em que se dividia; quais as grandes questões que abordava e as principais controvérsias que daí derivavam; quem eram as principais autoridades no assunto e quais os livros mais importantes?