Lemos as «crónicas» de Augusto Cid e a pergunta, evidente, é saber como Portugal tolerou quatro anos assim. João Pereira Coutinho
No momento em que Portugal vai a votos, Augusto Cid passa em revista os 4 anos de Governo Sócrates. Com a acutilância e o sentido crítico que lhe são conhecidos, o cartoonista põe em cena o Animal Feroz, concedendo-lhe o papel principal e declarando-o um fracasso de bilheteira. O teatro corre o risco de fechar dia 27 de Setembro. Porreiro, Pá! está dividido em 9 actos (Animal Feroz, Alegre "ma non troppo", Bat-Ota, O Grande Educador, Economia-porreirinha, O Mundo a seus pés, Sem-sure, Free-at-last-port, Urna-mente). Abre com prefácio de João Pereira Coutinho e já estreou em todas as livrarias do país.
Mas quem foi este Sócrates, conhecido no seu tempo pelo epíteto assustador de "o animal feroz"? A melhor forma de responder ao enigma é olhar para as páginas que se seguem. Em 96 "crónicas" ilustradas, Augusto Cid resume e comenta os inacreditáveis quatro anos do senhor. Não conheço melhor resumo. Não conheço melhor comentário. Ao homem e à obra. [...] O Cid lembra-se. O Cid lembra-nos. E lembra mais: lembra que só um país anestesiado seria capaz de suportar, silencioso e manso, a licenciatura domingueira do seu primeiro-ministro; a novela do Freeport; as embaraçosas amizades com Chávez; e os recorrentes números de Manuel Pinho, que terminaram com a faena conhecida. Olé! Felizes dos países que têm "cronistas" assim. E felizes dos leitores que, pela pena do Cid, têm os seus políticos assados.