O rapto de uma jornalista portuguesa e duas italianas no Líbano apaixona a opinião pública. As imagens difundidas no planeta pelas televisões apontam para a sua morte, embora haja blogues no Médio-Oriente que alegam o contrário. O trágico incidente em que se envolveram as tropas portuguesas estacionadas no Líbano vem piorar a situação. E os jogos diplomáticos entre Roma, Lisboa e a sede da ONU também não ajudam. Na mensagem de Natal de 2006, Sócrates tenta contornar a impotência e os desaires que se tornaram óbvios.
Sob o pano de fundo de uma radiografia portuguesa das últimas décadas, a jornalista Rute Monteiro e o escritor Guilherme Moutinho protagonizam um percurso recheado de contingências que liga a revolução de 1974 ao alvor do século XXI. E é no novo ambiente criado pelo 11 de Setembro que o imponderável pode acontecer a qualquer momento. Uma pergunta ficará para sempre no ar: que terá querido dizer Hassan Nasrallah, o líder do Hezbollah, quando insistiu na "necessidade de não responder a provocações"?
EXCERTOS
(...) e Otelo concluía: "Vejo a possibilidade de, a curto prazo, o general Vasco Gonçalves, quando estiver restaurado fisicamente - já que a revolução quase o destruiu psicológica e fisicamente - regressar como o teórico da revolução.
A certa altura, pousei a caneca de leite frio sobre o tampo da mesa da sala e abri automaticamente a televisão. Foi então que vi a primeira das Torres Gémeas em chamas.
Só uma pausada intervenção de Hassan Nasrallah (líder do Hezbollah) na Al Manar, onde insistiu na "necessidade de não responder a provocações", conseguiu pôr termo aos inesperados confrontos. Ainda que muito falaciosamente, o caso acabaria por ficar associado às tropas portuguesas (...)
Poucos dias antes do conflito, o general Loureiro dos Santos tinha sido premonitório aos microfones da Rádio Renascença - "O envio das tropas portuguesas é, apesar de tudo, um trabalho de risco. E é-o devido a três factos essenciais: as minas, os danos colaterais e o fogo cruzado".
O que tinha acontecido a Cintra Torres no Verão por causa dos incêndios, estava agora a acontecer a Julião Salvador por causa da súbita ausência de notícias na RTP sobre o rapto e a morte de Rute Monteiro.
Arush sempre visitou as suas duas mulheres e as suas cinco filhas, uma delas educada expressamente para servir a Deus como mártir.
E compreendi que não podia parar de rir. E foi assim que me salvei. A rir.