Preço 12 €

MELANCÓMICO- AFORISMOS DE PASTELARIA
Nuno Costa Santos

ISBN: 978-989-8014-40-5

Este livro marca a estreia da colecção "Edições Fictícias" que resultou da parceria entre as Produções Fictícias e a Guerra & Paz. É um livro, mas já foi um blog. Vai ser rádio, se calhar televisão, mas definitivamente é - tinha que ser - um livro.  É um livro inexplicável tão original como o seu título indica: Melancómico. O seu autor é Nuno Costa Santos. Ele escreveu uma colecção de aforismos surpreendentes e irresistíveis. Com a ajuda da Dona Bina e do Márcio, personagens que saíram, já vestidos e armados para a guerra das palavras, inteirinhos da sua cabeça. A partir de agora só não tem resposta para tudo quem não ler este livro. 

Melancómico é, antes de mais, uma disposição do espírito - uma forma de estar e olhar as coisas, algures entre a propensão para a angústia e o exercício de a combater por um esforço criativo e de imaginação. O melancómico é também uma personagem. As figuras que a rodeiam e o bairro que habitam. As suas obsessões quotidianas e os sacos do Lidl que transporta. Também nas palavras, o melancómico gasta pouco. As suas frases são curtas, de acordo com este tempo distraído. Existe no melancómico a vocação do aforismo - mas só daquele que possa ser citado ao balcão da pastelaria, enquanto se espera pelo bolo de arroz. Agora está (des)arrumado em livro e montado em pequenos filmes. Mas o melancómico começou por ser um blogue. Um bloco de notas virtual onde, durante um tempo, o autor foi registando pensamentos e histórias. Ao sabor da variação de humores e alergias.

 

"Desde sempre que é assim. Há alguns humoristas a fazer a pose do melancólico.Mas o que há mais é melancólicos a fazer a pose do humorista."

In "Melancómico"

Produções Fictícias

         

Comentários

José Cunha Rodrigues

2007-05-05 01:00:26

(publicado a 29 de Abril no Jornal Correio do Minho, na coluna OLHARES)


É uma estreia em grande. Comprei-o e amei-o logo desde início. O autor é um porreiro sarcástico que se destaca pelo talento inato e único nesta terra lusa e palavrosa que é Portugal. Como verdadeiro “melancómico”, o autor, Nuno Costa Santos, chega aos escaparates em fase certa. A publicação em livro surge no tempo certo: o mercado está negro, logo nada mais apropriado para a prolificação de prosa tão boa. Somos melancólicos, fadistas, carrancudos e no que toca à tradição de frasistas, Portugal deixa muito a desejar. Não temos nenhum Millôr Fernandes, mas temos Nuno Costa Santos em “Melancómico” “himself”, um sortido de palavras e aforismos cómicos que valem muito mais do que muita prosa ficcional que abunda aos quilos em prateleira lusitana. É uma colecção de adágios cómicos e trágicos sobre a existência humana e urbana, enriquecida por poetas de café, filósofos de bairro, por gente que verte o rifão de pastelaria, umbiguista ou barriguista, melado por um punhado de frases duras e inquietantes. O humor une, como diz o ditado. Aqui a prova confirma-se.
O autor prefacia em tom pungente, avisando desde logo que “o melacómico, na net ou em livro, é um bairro, é sempre um bairro. Mesmo quando é chamado de país, de continente ou de planeta (…) um bairro onde coabitam os grandes temas e as contingências da vida: o amor e o Lidl; o sexo e a sinusite; a morte e a vizinha.
Nuno C. Santos tem 32 anos, é jornalista, com uma mão-cheia de livros de ficção, humor e poesia escritos. Colaborou com um batelada de jornais e revistas, escreve sobre música, trabalha em rádio e televisão e… é habitante de um terceiro andar em Lisboa, com vista para o Lidl (“toda a gente tem conhecimento disso, mas somente o seu mordomo sabe que ele é, na verdade... o Melancómico”).
Dizem que este livro vai ser rádio e em seguida televisão. Depois de já ter sido tanta coisa, blogue principalmente, por agora é uma colecção Edições Fictícias em parceria entre as Produções Fictícias e a editora Guerra & Paz. É um livro sombrio e original, povoado por soberbos ditames. Os protagonistas são a Dona Bina, “figura de instáveis humores e catedrática da junta” e o Márcio, “rapaz enigmático e inquieto que sai do bairro para ir pela cidade à sua procura”. Eles dão corpo à obra, juntamente com outras personagens que “opinam e metem o nariz onde não são chamadas”, “já vestidos e armados para a guerra das palavras, inteirinhos da sua cabeça”.
Outrora em bloco de notas virtual (blogue) hoje “(des)arrumado em pequenos filmes”, lemo-lo e o espírito eleva-se, para o melancómico: aprende-se a olhar de outra forma para as realidades pintadas a negro e aportadas em cadência e angústia. O autor aguça com mestria esses comportamentos que variam entre o “humor e a alergia”, fazendo-nos pensar, por exemplo, em certas “poses” estranhas e desnecessárias, como esta: "Desde sempre que é assim. Há alguns humoristas a fazer a pose do melancólico. Mas o que há mais é melancólicos a fazer a pose do humorista."
JOSÉ CUNHA RODRIGUES


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