GUIA DE FILOSOFIA PARA PESSOAS INTELIGENTES Roger Scruton
ISBN: 978-989-8014-44-3
Esta é uma visão muito pessoal da filosofia. Nela, o autor centra-se nas ideias e argumentos que mais o atraíram nesta disciplina. E assim procura demonstrar porque é que a filosofia é tão relevante, não só para as grandes questões intelectuais, mas principalmente para a vida quotidiana no mundo moderno. Apesar de não omitir as ideias de grandes filósofos, particularmente Kant e Wittgenstein, grandes influências no seu pensamento, o autor não fornece um guia clássico dos argumentos deles. O objectivo deste livro é funcionar como um guia para o leitor - inteligente - que esteja preparado para embarcar numa fascinante aventura pelas principais questões filosóficas: a Verdade, o Tempo, Deus ou o Sexo.
Excerto:
A filosofia - o «amor da sabedoria» - pode ser abordada de duas maneiras: produzindo-a, ou estudando a forma como tem sido produzida. A segunda abordagem é familiar aos estudantes universitários que dão por si confrontados com o mais amplo corpo de literatura alguma vez devotado a um só tema. Este livro segue um molde mais antigo. Tenta ensinar filosofia fazendo filosofia. Ainda que remeta para os grandes filósofos, não forneço um guia fidedigno para as suas ideias. Expor cerimoniosamente os seus argumentos seria frustrar o meu principal objectivo, que é o de tornar viva a filosofia.
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A nossa necessidade filosófica mais urgente, parece-me, é a de compreender a natureza e o significado da força que outrora manteve o nosso mundo unido, e que está agora a perder o seu controlo - a força da religião. Pode ser que a crença religiosa seja em breve uma coisa do passado; é, contudo, mais provável que crenças com a função, a estrutura e o ânimo da religião fluam para o vazio deixado por Deus. Em qualquer caso, precisamos de compreender o porquê e a razão do motivo da religião. É de ideias religiosas que o mundo humano, e o sujeito que nele habita, são feitos. E é o resíduo espiritual do sentimento religioso que provoca os nossos problemas filosóficos mais intratáveis.